Algumas já teve o desejo de chorar? De gritar até sua gargante doer?
Mas as lágrimas não brotam, mas o som não saiu. E todo o que sentiu foi um vazio, uma ausência inescapável, uma dor indiscriminável.
A parte mais difícil de ser adulta e ter que aceitar as coisas como elas são. E despir-se das ilusões, e seguir em frente, mesmo quando seguir significa ficar no mesmo lugar. Quando eu era criança, minha tia uma certa vez me disse: "-Você chora demais, não chore tanto assim! bom... pelo menos na frente dos outros. Quando sentir vontade de chorar vá para o banheiro, tranque a porta e chore... Mas longe dos olhos de todos, e quando abrir a porta deixe as lágrimas lá, saia com um sorriso no rosto, ainda que continue com vontade de chorar." Ela talvez não tenha ideia de como isso me marcou, eu deveria ter por volta de dez anos, já havia chorado um bocado, mas daquele dia em diante aprendi a dura lição de que suas dores assim como seus desejos não interessam a grande maioria das pessoas.
Depois desse dia eu comecei a achar que a água da pia do banheiro fazia milagres, pois ela fazia com que meus olhos vermelhos de chorar fossem substituídos por um falso sorriso de satisfação, isso funcionou por algum tempo, mas como toda magia um dia acaba, a pia do banheiro perdeu seus poderes.
Achava que um dia não haveria mais lágrimas para chorar, como se houvesse uma cota e quando se atingisse o fundo, não teria mais liquido para ser vertido pelos olhos. Mas infelizmente tal conta não existe, mas exite uma outra coisa, uma ausência de qualquer coisa, uma total e completa existência de nada.
Mas alegra-vos oh povo desafortunados como eu, afinal do nada se faz tudo, é em meio ao caos que se encontra a ordem, E depois que o nó da garganta é desatado, e seu grito é solto, quando o choro encontra vazão, somos acometidos de uma sensação nova, de uma paz que não pode ser compreendida. Um novo começo, é o que desejo para mim e para todos!
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