Acho que todos em algum momento de suas vidas já jogaram esse jogo, estou falando daquele onde figuras aos pares são embaralharas e com um pouco de sorte e boa memória encontrar as semelhantes. Sim, quase todos conhecem o jogo da memória! Porém nossa memória costuma jogar outros jogos, não tão simples, mas que exigem um pouco de sorte e outras cousitas más.
Sempre sou lembrada de como minha memória é boa, o que de fato é, porém (e sempre existe um) isso nem sempre é uma vantagem. Minha memória já me tirou de alguns apertos, um exemplo eram as provas, na escola ou na faculdade, costumava estudar pouco e me sair bem, pois de uma maneira quase milagrosa eu me lembrava das aulas.
Entretanto (para não usar o porém que sempre existe), como toda benção existe um preço a ser pago, e nesse quesito o preço e não esquecer daquilo que eu não gostaria de lembrar. Lembro da batalhas que perdi, dos fracassos, do gosto amargo de algumas palavras que falei ou escutei. Não sei explicar em termos científicos como funciona a memória, mas para mim funciona com se gatilhos despertassem fatos que cuidadosamente foram armazenados em mim.
Em meio a uma conversa casual ouvi um comentário de como fui em minha juventude, que na verdade me pareceu melhor do que considerava diga-se de passagem, isso que fez voltar no tempo vinte anos.
Muito embora nem todas as lembranças fossem claras, o essencial estava lá. Recordei de bons e de maus atos que cometi, e em meio a essa avalanche lembrei de uma promessa. Senhor como me doeu me lembrar, e saber que não cumpri.
Depois de enrolar bastante, finalmente cumpri a promessa, que era pedir perdão a uma pessoa por coisas impensadas que haviam sido ditas. Foram semanas protelando a tal conversa, com receio de reação, para ouvir dela um "não recordo disso". Depois de ter feito, de ter confessado que eu havia errado no passando, percebi que de alguma forma estava fazendo as pazes com a minha história e soltando as amarras.
2 Crônicas: 12. 12.
"E humilhando-se ele, a ira do Senhor se desviou dele, de modo que não o destruiu de todo; porque ainda havia coisas boas em Judá."